segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Alcoolismo - Doença Fatal

Alcoolismo – O que todos precisam saber!

(Por Carlos Alberto Bächtold – Foz do Iguaçu, PR)

1. O Alcoolismo é uma doença!


A Organização Mundial de Saúde (OMS) incorporou o alcoolismo à Classificação Internacional das Doenças (CID) em 1967 (CID-8), a partir da 8ª Conferência Mundial de Saúde. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), o alcoolismo é o responsável por cerca de 2,3 milhões de mortes anuais. Sendo, portanto, a terceira doença que mais mata no mundo. Além disso, causa 350 doenças (físicas e psiquiátricas) e torna dependentes da droga um de cada dez usuários de álcool. Além disto, o consumo de bebidas alcoólicas é o maior responsável pela causa de acidentes, da violência doméstica e ainda de problemas cardiovasculares ocasionados pelo álcool.
Esse número de mortes ocorridas no mundo, levantado pela Organização Mundial de Saúde, simboliza 3,7% das mortes do mundo. Dentro disto, foi preparado um documento amplamente discutido na 60ª. Assembléia Mundial da Saúde, ocorrida em Genebra em 14 de maio de 2007. Naquele momento, foi discutida uma resolução com o objetivo de chamar a atenção do mundo para as dimensões que o alcoolismo tem tomado. Em tal relatório, a OMS afirmou que o consumo de álcool é o desencadeador dos maiores problemas da saúde pública, sendo a quinto causador das mortes prematuras e também da incapacidade em todo o globo, provocando 4,4% das enfermidades em toda a Terra.
Não bastasse tudo isso, estatísticas mostram que o álcool foi relacionado a 6,1% da mortalidade masculina ocorrida mundialmente em 2002, e de 1,1% da mortalidade feminina.
Entre aqueles que ainda não atingiram a idade de 60 (sessenta) anos, o percentual subiu para 5%, sendo 7,5% entre os homens e 1,7% entre as mulheres.
Entre os mais jovens, tanto homens quanto mulheres, principalmente devido à acidentes fatais, os efeitos do consumo do álcool são ainda maiores.
2.     Como Doença, o Alcoolismo se caracteriza por 4 etapas

1ª Etapa da Doença:  É a fase tida como o beber socialmente, sem qualquer dependência física, onde a pessoa apenas bebe como um “meio de escape”, ou “para se divertir”. É a dependência emocional. Tem início na primeira experiência com a bebida (entenda-se que dois fatores são essenciais: a predisposição orgânica e os benefícios, doutra sorte a doença não será desenvolvida). O primeiro sintoma é a dependência emocional. A pessoa precisa beber para sentir-se mais alegre e desprendida, para se sentir melhor ou esquecer seus problemas. Nesse período bebe-se pouco e “socialmente”, não ocorrendo perdas pelo seu consumo. Tampouco há distúrbios físicos.
2ª Etapa da Doença:  Começam as mudanças orgânicas e metabólicas. Há uma certa tolerância quanto à quantidade de álcool ingerido – bebe-se um pouco mais que na primeira fase. Ainda não há problemas ou dependência física. A pessoa engana-se com a idéia “eu paro quando quero”. Ainda bebe apenas em ocasiões especiais, sejam festas, sejam comemorações. Ou ainda com os amigos para “descontrair”.
3ª Etapa da Doença:   Não se sabe ao certo o momento que ocorreu o início da dependência física. É quando o organismo, já acostumado a certa quantidade de álcool, sente sua falta quando o índice de álcool na corrente sanguínea é reduzido. É a dependência bioquímica do álcool já instalada. Há um considerável aumento da tolerância ao álcool, e o “hábito” começa a se tornar um problema. Constantes problemas emocionais surgem, ressacas, problemas de ordem familiar e também problemas no relacionamento com outras pessoas. É o que conhecemos por síndrome da abstinência; a vítima começa com suas “paradas”, seja por internação ou não. Ocorrem muitas perdas, principalmente a perda do controle. Já existe a “psicose alcoólica”. A pessoa já é totalmente dependente do álcool. Bebe para tudo. Quando está triste, bebe para se alegrar. Quando está alegre, bebe para comemorar. Quando angustiada, bebe para esquecer. Quando está com medo, bebe para criar coragem. Faz de tudo um motivo para beber, sendo extremamente criativa quanto à forma de fazê-lo de forma a não levantar suspeitas sobre a sua condição. Ela simplesmente “precisa da bebida”.
4ª Etapa da Doença:   É a última fase, quando o cérebro começou a atrofiar-se. Podem ocorrer alucinações; as mãos começam a tremer devido a longos períodos de abstinência. É quando “tomam um trago pra firmar o pulso”.  Segundo a própria OMS, os sintomas do alcoolismo, a síndrome da dependência bioquímica do álcool é definida com sendo um estado psíquico e também físico provenientes do consumo do álcool e resultantes em reações comportamentais inerentes a uma compulsão à ingestão do álcool de forma regular e constante, cujo propósito é o de experimentar seus efeitos psíquicos; evitando o desconforto da falta deste, podendo ou não haver a tolerância ao álcool.
3.     Dados geográficos
Analisando o consumo do álcool em termos regionais, os índices de mortes, tanto de homens quanto de mulheres, podem ser avaliados no gráfico a seguir:





Região
Índice de Mortes
Homens
Mulheres
Europa
10,80%
1,70%
América
8,70%
1,70%
Oceania
8,50%
1,50%
Mediterrâneo Oriental
0,90%
0,20%
África
3,40%
1,00%
Sudeste Asiático
3,70%
0,40%
Estatisticamente falando, o alcoolismo é o terceiro maior causador de enfermidades nos países desenvolvidos, e o primeiro nos países que estão se desenvolvendo, entre os homens.
4.     Do ponto de Vista Patológico

Do ponto de vista médico, o álcool é o causador de transtornos de ordem neuropsiquiátrica, somando 34,3% das enfermidades e óbitos vinculados ao seu consumo.

5.     Outras conseqüências danosas do consumo do álcool
Além males físicos ligados diretamente ao consumo do álcool, temos ainda os acidentes de trânsito, os afogamentos, quedas e queimaduras, na ordem de 25,5%; suicídios (11%); cirrose hepática (10,2%); doenças do coração (9,8%); e finalmente o câncer (9%).
Considerando-se unicamente as mortes, as principais que estão relacionadas ao alcoolismo são os acidentes, com 25%; as doenças cardíacas, com 22% e o câncer com 20%.
Diante desse quadro, a OMS reconhece em  seu relatório que a despeito do fato de o consumo “moderado” do álcool poder reduzir a mortalidade relacionada a determinadas doenças ou faixa etária, é muitíssimo difícil estabelecer qual o nível de consumo seguro da bebida.

6.     As Cifras

No ano de 2002, calculou-se o custo relacionado ao uso nocivo do álcool, tendo chegado a incríveis US$ 665.000.000.000 (isto mesmo, 665 bilhões de dólares), correspondendo a 2% do PIB do planeta.

7.     Socialmente falando
A Organização Mundial da Saúde (OMS) menciona, entre as conseqüências de ordem social a embriaguez pública, as agressões infantis, a violência e criminalidade entre os jovens e também a violência doméstica. Tudo isso, associado ao processo de globalização que envolve hoje o planeta, traz novos desafios quanto ao combate de tal problema.


8.     O Alcoolismo no Brasil

Pesquisas feitas mostram que em nosso país, o alcoolismo é a 3ª. maior doença, sendo o responsável por mais de 10% dos problemas de saúde pública.
Lamentavelmente, nosso país é o terceiro maior fabricante de bebidas destiladas do planeta, perdendo apenas para a China e a União Soviética. Anualmente são consumidos no Brasil mais de 195.000.000 (195 milhões) de litros de aguardente, sem contar outras bebidas destiladas, das quais muitas de origem estrangeira.
Nos países do primeiro mundo, ainda que o acesso ao álcool também seja grande, seu consumo é moderado por normas quanto ao seu consumo e política de preços, aliados ao uso educacional dos veículos de comunicação em massa.
Infelizmente no Brasil, não apenas não existe qualquer controle quanto ao consumo das bebidas alcoólicas, como ainda existem uma série de fatores que promovem o acesso à bebida, mormente entre a classe jovem. Apenas para citar um, temos o preço muito baixo, uma vez que com apenas cinqüenta centavos (R$ 0,50) pode-se comprar em qualquer bar uma dose de aguardente.

Menoridade
A despeito do fato de existirem leis proibindo a venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos, a UNIFESP mostrou que não é o que acontece. De acordo com pesquisas feitas, 90,4% dos proprietários de comércios onde sã o vendidas bebidas alcoólicas reconhecem que nunca conferem a idade de quem vai comprar a bebida, e outros 80% sequer pedem qualquer documento.
Outro fato surpreendente levantado na mesma pesquisa, é que 76% dos comércios de bebidas alcoólicas não estipulam qualquer controle quanto à quantidade de álcool a ser consumida por seus clientes, sob o pensamento de que não são responsáveis pela embriaguez de seus clientes.

9.     Alcoolismo e a Política
Os danos causados pelo consumo excessivo do álcool certamente têm um elevado custo em todo planeta. Entretanto, as políticas públicas do Brasil não produzem qualquer efeito quanto ao consumo da bebida, pois não há qualquer mobilização por parte daqueles que deveriam buscar o bem comum do país.


10.           Como tratar a doença do alcoolismo

O alcoolismo é uma doença incurável, progressiva e fatal.  Vai causando em suas vítimas uma gradativa obsessão pela bebida até dominá-la completamente em seus estágios finais. Contudo, conquanto incurável e progressiva, tal doença pode ser detida em seu avanço. Para tanto é preciso que o alcoólatra se abstenha tal e completamente do álcool, evitando o primeiro gole.
De nada adiantam algumas “paradas”, pois qualquer vítima da doença, mesmo após anos sem beber, ao tomar apenas um gole, fatalmente estará, num curto período de tempo, consumindo a mesma quantidade ou até mesmo uma quantidade maior àquela que consumia antes de “parar”.
Claro que tal abstinência não é simples ou fácil. Depois de algum tempo vivendo em função do álcool, é necessário todo um aprendizado para abster-se da bebida. Tentando sozinha, as chances da vítima do alcoolismo são quase nulas, entretanto, com Alcoólicos Anônimos, e outros grupos de apoio, terá muito mais chance de ter êxito em seu empreendimento.

11.           Que tipo de Doença é o Alcoolismo

Conquanto ao se instaurar em sua vítima, o alcoolismo apresente características físicas e psíquicas, é relevante salientar que do ponto de vista clínico (médico e psicológico), o alcoolismo não apenas não possui qualquer medicamento como também não tem cura.
Ainda que se interne o doente em uma clínica especializada para que seja submetido a uma desintoxicação orgânica, e ainda que tenha o acompanhamento psicológico para tratar de sua psicose e compulsão para a bebida, nada podem a medicina fazer pelo doente alcoólico.
Entretanto as estatísticas mostram que dentre todos os órgãos e entidades que buscam trabalhar com o doente alcoólico, apenas a Irmandade de Alcoólicos Anônimos tem um resultado animador – 50% dos alcoólicos que ali ingressam detêm a doença em sua marcha.
Isso se deve ao fato de existir, na irmandade de Alcoólicos Anônimos um programa espiritual em sua essência, denominado Os Doze Passos e as Doze Tradições. Os doze passos são uma síntese do Evangelho de JESUS CRISTO, através de passos que são propostas práticas apresentadas àquele que ingressa em um “grupo de Alcoólicos Anônimos”.
Cada passo possui uma verdade e uma ação, sugeridos (nada é por imposição, nada é cobrado) a quem quer recuperar-se da doença do alcoolismo. Já as Doze Tradições dizem respeito ao grupo em si, apresentando verdades e ações a serem adotadas por cada grupo para sua sobrevivência, pois a idéia é que não havendo grupo, não há recuperação. Isso porque é no grupo que cada alcoólico encontra apoio para sua recuperação.
Recomenda-se, a quem queira maiores informações, que entre no próprio site de alcoólicos anônimos no Brasil: http://www.alcoolicosanonimos.org.br/